Crítica: Invisível faz um retrato da angústia da solidão

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Invisível, do diretor argentino Pablo Giorgelli, chega para mostrar mais uma vez a força do cinema argentino. Não espere muita ação no longa. Prepare seu exercício de interpretação, percepção e entendimento para entrar no mundo das pessoas que são ignoradas pela sociedade, ainda mais quando vivem em classes menos favorecidas. Pois é, acontece aqui, acontece lá, em todo lugar.

Giorgelli traz às telas a história de Ely, uma menina de 17 anos, que mora no bairro da Boca, em Buenos Aires. Ela cursa o último ano do ensino médio e trabalha em um pet shop para completar a renda familiar, já que sua mãe está doente e não demonstra sinais de melhora.

Aos poucos, vamos descobrindo como a existência de Ely é metódica e solitária. Todos os dias são quase sempre iguais, mas é justamente a rotina que a segura nesse abismo de incertezas, falta de expectativa e inseguranças.

Até que Ely descobre que está grávida de Raúl, o dono do pet shop onde trabalha. A partir daí é que nos damos conta de como sua invisibilidade é latente perante à sociedade. Entre os poucos diálogos que acontecem, a menina não recebe nenhuma palavra de afago ou ternura.

Vale ressaltar que a história de Ely se passa no bairro da Boca, em Buenos Aires. Para quem não conhece, essa é uma região humilde da cidade portenha, que fica do lado oposto dos imponentes bosques de Palermo, a área nobre. Como o próprio Giorgelli afirmou, a história seria outra se a protagonista não morasse ali.

Sem ter uma família estruturada, contando apenas com a tímida ajuda de uma colega de escola, que pouco sabe da vida, falta a Ely um acompanhamento mais adequado para enfrentar a decisão de ter ou não o filho. Afinal, ela deve continuar ou não com o possível ciclo de uma nova invisibilidade? A resposta nunca é fácil ou exata.

Mas não pense que o filme Invisível é pessimista. Na verdade, ele trabalha com a capacidade do ser humano em entender de fato o que é empatia. Conforme Ely vai amadurecendo em sua jornada, vamos crescendo com ela e entendo melhor suas atitudes e angústias. Lembrando que entender nem sempre significa concordar. Todas as decisões importantes podem quebrar ou perpetuar ciclos. Mas também podem ser recomeços e novos caminhos.

A verdade é que a vida de Ely sofre uma inevitável transformação, independentemente da decisão tomada. E ser invisível talvez não seja mais uma opção para ela.

 

 

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