Crítica: Aos trancos e barrancos, Jogos Mortais – Jigsaw é surpreendente

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Um grupo de pessoas acorda numa armadilha cortante e explosiva, elaborada minuciosamente por um idoso sádico que justifica seus atos, como redenção moral de cada uma das vitimas. Esta pode ser a sinopse de praticamente todos os oito filmes da franquia, que começa muito bem em 2004, com o ainda desconhecido James Wan, que fez do enxuto orçamento de USD1,2 milhões, uma bilheteria de USD103,9 milhões, algo que encheu os olhos de produtores e diretores. Foi o início do fim de algo grandioso.


A franquia foi bem até o terceiro filme, calculista em orquestrar uma trama coerente que interligava as histórias num jogo muito maior, soava inteligente e garantia a expectativa e bilheteria em cada lançamento.

Do quarto longa em diante, vimos um festival de traquitanas que estraçalham carne e personagens cada vez erma mais rasos e sem sentido, tudo se resumiu a um triturador de gente cada vez mais “hi-tech” e, cada vez menos crível sobre a capacidade de um senhor doente em executar com tamanha precisão – aliás, a franquia passa a viver de conveniências para justificar a inabilidade criativa, todos os personagens pisam, falam ou vão precisamente em direção as armadilhas mortais que dependem uma das outras para que a narrativa tenha alguma continuação, se alguém simplesmente ficasse parado ou tropeçasse logo no início e a última chave dependesse dele, não haveria filme, se espirrar na hora errada, não teria filme, o genial deu lugar ao previsível e, trocaram a surpresa pelo bocejo da plateia.

Por que gostamos disso afinal?


É provável que tenhamos alguns parafusos a menos na cachola, diariamente recebemos vídeos de acidentes e teimamos em continuar assistindo, um prazer secreto pela tensão presente nos momentos cruciais entre vida e morte, uma linha tênue entre o sadismo velado e aquele pensamento escapista de como você sairia daquela situação.

Mas então, Jogos Mortais: Jigsaw vale a pena?

Vale, mas não é tão simples assim, vou tentar reproduzir os sentimentos controversos que tive com este filme, a princípio foi a sensação de “mais do mesmo”, o povo acorrentado, o bonequinho em sua bikezinha marota e serras cortantes para todos os lados, coadjuvantes com falas ou expressões tão obvias que soam caricatas, como na cena onde uma moça fazendo cooper grita em meio a multidão ao ver um homem enforcado, é gratuito por ser mal executado. O roteiro tem furos incríveis, sem contar a mediunidade presente em Jigsaw que sempre sabe exatamente os crimes que foram cometidos, a maioria no íntimo de cada personagem, mas… o filme se “redime” em sua conclusão, entrega o simples, cresce em inteligência e grandeza e resgata o sentimento do “uau” sincero, escondido no fundo da alma desde o primeiro filme, algo que fará você sair feliz da sala, pensando em perdoar todo o resto, a famosa frase justificadora “é Jogos Mortais né” dando de ombros.

Jigsaw nasce com a proposta de prolongar a vida de uma franquia esgotada pelo tempo, não acrescenta grandes novidades, mas emana o espirito aprisionado desde 2004 numa sala azulejada com dois rapazes e uma serra.

 

 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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[Total: 3 Média: 3.7]
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Apenas um homem que faz tudo pela "família", Publicitário, crítico de Cinema e fundador do Cinéfilos Anônimos, bom em fazer propostas irrecusáveis e Lasanhas bolonhesa.