John Wick – Um Novo Dia para Matar | Crítica

As definições de “Homão da Porra” foram atualizadas

Nova Yorque filmada do alto em suas noites iluminadas pelas vidraças espelhadas de prédios e suas luzes de neon das faixadas comerciais, uma moto acelera fundo, num ronco quase desesperado, um carro verde acelera atrás, com segurança e foco…John Wick sempre foi um cara de foco, a pancada é seca.

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Eu queria aqui mandar um abraço para o continuísta deste filme, a impressão que eu tive ao revisitar este universo, é que ele se manteve intacto desde o último berro de “corta” emitido pelo diretor no primeiro filme, é incrível o trabalho nos mínimos detalhes, até mesmo em algo desenterrado pelo Homão em seu porão ao início do primeiro longa, tudo está exatamente em seu devido lugar.

Ao início do segundo filme, algo curioso chama a atenção, projetado em um prédio um filme de Buster Keaton rouba a cena, não por coincidência, mas pela simples representação da alma que John Wick carrega, do rapaz silencioso e sem expressão em meio ao caos.

Mas as referências ao cinema mudo não param por aí, vejamos o cartaz oficial do filme, agora vamos ver essa famosa cena de Harold Lloyd.

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Além do flerte com o cinema mudo de ação, os diretores Chad Stahelski e David Leitch ainda demonstram sua experiência em cenas de combate, refletidas em cada soco, tombo, atropelamento ou o que mais acontecer com quem cruzar o caminho de seu protagonista.

Cada tiro tem o peso de sua bala, no som, no impacto, no sangue, sincronizado como um relógio Suíço e, quando as balas acabam, as coreografias de lutam prendem seus olhos na tela, confesso que muitas vezes o efeito parece um tanto repetitivo, principalmente nas cambalhotas seguidas do tiro na cabeça, mas funciona…e muito!

A história é basicamente a mesma, de verdade, mas a sensação de insegurança presente neste segundo filme é o ponto principal, conhecendo mais a fundo a organização dos assassinos, a percepção de que qualquer um e todos a sua volta podem ser seu último suspiro, é algo desesperador pra mim que não sou o Keanu Reeves, no auge dos seus 52 anos enfrentando qualquer coisa com muita ação e poucas palavras.

Assim como Mel Gibson, Bruce Willis e mesmo Gerard Butler em seus papéis de “exércitos de um homem só”, esta nova franquia encontrou seu caminho de forma equilibrada, entre a sátira e a gravidade, passando por infinitas referências aos diversos gêneros de grande nome do cinema, aos encontros improváveis de seus atores, como é o caso de Laurence Fishburne e Keanu Reeves, Morpheus e Neo, novamente frente a frente.

Vale seu ingresso com pipoca e refrigerante gelado, sente-se confortavelmente e curta sem compromisso um bom filme sobre um homem com seu cachorrinho de estimação.

 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
Avaliação dos Visitantes do site
[Total: 3 Média: 3]

Apenas um homem que faz tudo pela "família", Publicitário, crítico de Cinema e fundador do Cinéfilos Anônimos, bom em fazer propostas irrecusáveis e Lasanhas bolonhesa.