Crítica: La casa de Papel – Onde foi que o plano deu errado?

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Misture “O Plano Perfeito”, “Saída de Mestre” e adicione algumas pitadas de “Breaking Bad” e “Narcos” e teremos uma série tensa, inteligente e muito viciante, apesar de seus furos.

Um grupo de criminosos liderados por um meticuloso estudioso assaltam nada mais, nada menos, que a Casa da Moeda Espanhola, um plano milimetricamente ensaiado para que nada saia do controle e, isso é exatamente o problema da série.

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Enquanto a trama te guia pelo labirinto de descobertas episódio após episódio, fica claro o papel do verdadeiro protagonista da série, a “conveniência”, que em primeiro momento dá preciosismo ao intelecto do precavido Professor, mas que ao longo de seu desenvolvimento ganha ares de mediunidade ao prever acontecimentos tão aleatórios quanto a uma loteria. Em seus momentos de improviso é que a força do roteiro surpreende e o risco embala muito mais do que a mítica genialidade do homem.

O conceito do ilusionismo segue algumas etapas: O mágico propõe um desafio impossível, o público passa a prestar total atenção enquanto as distrações começam, e a varinha ganha contornos no ar seguidos por palavras mágicas e voilla – um coelho milagrosamente surge da cartola, mas aí o ilusionista resolve revelar o truque e o público se surpreende mais ainda com a mirabolante ideia que lhes enganou, esta é a sensação de assistir La Casa de Papel.

Erros e Acertos

Narração: Escolher para uma série de escapismo, o recurso da narração em off, é algo importante, mesmo às vezes não sendo muito apreciado pelo grande público, o problema aqui na verdade, é a escolha do narrador, na verdade narradora. Tokio(Úrsula Corberó), uma personagem dada em primeiro momento como pilar da narrativa, mas que perde espaço já no segundo episódio e, que não acompanha em detalhes tudo que se passa ao seu redor, mas ainda assim, narra os erros e acertos do plano, situações ocorridas com personagens que não fazem parte de seu núcleo e confere à personagem uma aura profética e fatal, muito maior do que realmente sua participação possui.

São os piores colegas para um trabalho de faculdade: O Professor pode ser um gênio, mas olha, que “dedo podre” para escolher seus pupilos, que individualmente podem ser excepcionais, mas que tem sérios problemas em seguir aquilo que pode lhes custar a vida. Tokio e Rio tem um lance que já abala de cara a operação, Denver e uma refém também pisam na bola, Berlim, o mais fiel, teima em obedecer e parece se guiar por suas próprias regras, sobrando para Oslo e Helsinque, Nairobi e Moscou, todo o restante das tarefas, que aliás, parecem ser esquecidas frequentemente.

Como não cuidar de 67 reféns: Inicialmente o plano parece sob controle, mas até o expectador mais otimista há de concordar que a pergunta que ecoa em muitos momentos na série é: “Quem é que está cuidando dos reféns agora?” “Se estão todos ali, os reféns estão cavando um túnel sozinhos?” “Olha os reféns tramando ali rapaz, mata logo o Arturito”.

Sim, existem buracos no roteiro e em muitos momentos chegamos a pensar que todas aquelas metralhadoras servem mais para se protegerem do que para ameaçarem os cativos.

Personagens: A polícia invade o ferro velho em busca do carro roubado, Professor está encurralado, bola um plano de improviso e simplesmente conquista com honra o respeito do expectador, um momento “a la Breaking Bad” se pudermos comparar, uma mudança de personagem tão brusca, mas que encerra quaisquer dúvida sobre sua inteligência e a sua entrega ao propósito final.

Um ponto fortíssimo da série são seus personagens bem elaborados, complexos em suas motivações, misteriosos o suficiente para gerar interesse do público, algo que já chama à atenção desde o momento em que descobrimos apenas seus codinomes. A série não esquece de dar valor aos reféns ou mesmo ao núcleo policial, destaque para Arturo, gerente da Casa da Moeda e para a policial Raquel Murillo, aliás, a personagem com mais conflitos e obrigações de toda a narrativa e que só poderia ter se sustentado, graças a uma atuação tão enérgica como a de Itziar Ituño.

Love Is In The Air: Sim, este parágrafo é para você que se revoltou com esse “shipp” do Professor com a policial Murillo, pra você que levou sua mão à testa pensando que aquele homem lascou a coisa toda se apaixonando por uma mulher em cerca de 54 horas de plano, mas vamos admitir aqui, só pra gente, é extremamente arriscado, perigoso e agoniante essa dualidade deste relacionamento, mesmo que diminua os méritos de ambos os personagens.

Entre ganhos e perdas, inteligência e furos, uma coisa é mais do que certa, La Casa de Papel te enganou de vários jeitos diferentes. E que venha a segunda parte!

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Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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Apenas um homem que faz tudo pela "família", Publicitário, crítico de Cinema e fundador do Cinéfilos Anônimos, bom em fazer propostas irrecusáveis e Lasanhas bolonhesa.