Lua Vermelha

Crítica: Lua Vermelha não traz a mesma beleza que o satélite mereceria.

Em uma ilha afastada da civilização ocorreu algo misterioso que deixou toda a população em uma espécie de transe, imóveis, tais como estátuas vivas.
Esse é o primeiro longa do diretor Louis Patiño que já tem três curtas no seu currículo. E ele não usa atores conhecidos, nem determina um protagonismo na trama.
Se você gosta de um filme contemplativo com pouquíssima ação, e uma história muito surreal, você pode gostar desse filme.
Devido ao enredo peculiar, não vemos muitas ações nesse longa. Já que todos os personagens estão paralizados por conta de uma espécie de feitiço.
Apenas três mulheres se movem no filme, e elas aparecem como uma possibilidade de solução. Mesmo assim, elas não ganham status de protagonista no enredo.

Como uma apresentação de slides

Mas essa forma de narrativa tem grande chance de se tornar pedante por ser extremamente parada. Em certos momentos temos a sensação de estarmos assistindo a uma apresentação de slides. Nesse tipo de filme a trilha sonora deve ser bem envolvente. Mas o que encontramos é uma trilha tensa, que amplia o estado catatônico dos personagens. Ouvimos ondas, animais e as vozes dos personagens paralizados. Mas ainda assim existem falhas graves na edição de som e imagem que comprometem a atenção.

Como cenário e plano de fundo temos um vilarejo e uma estrutura de uma hidroelétrica. Diversas vezes o diretor nos permite compreender a magnitude da natureza mostrando a pequena relevância humana perante a força das águas.

Mesmo gerando imagens grandiosas como na abertura de comportas da hidroelétrica, o roteiro criado pelo próprio diretor, não consegue responder várias questões levantadas pelos pensamentos dos habitantes. E isso deixa várias pontas soltas para o expectador tentar concluir.

Roteiro e direção voltados para curta metragem

Aparentemente o roteiro pensou em um curta metragem, pois existem diversas cenas completamente paradas onde se filma apenas a natureza por vários segundos. Com pouca alteração nas imagens e sem qualquer efeito sonoro mais significativo, essas cenas podem se tornar pontos de desatenção e dispersão.

O diretor ainda tenta criar um instante bem humorado, mas não consegue implacar nada mais do que uma curiosidade ou uma expectatia de algo mais interessante.

O ponto de inflexão e a cor vermelha

Em certo momento a escala de cores se torna avermelhada, não apenas para representar a lua, como todos os elementos do enredo. Nesse momento existe uma certa movimentação que nos faz acreditar que teremos alguma reviravolta na dinâmica. Podemos considerar

Certamente vamos precisar de conhecer o próximo longa de Patiño para ter uma avaliação melhor da sua forma de dirigir.

(Lúa Vermella – 2020 – Espanha – 1h24m)
Esteve na 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Clique aqui e receba os links das novas críticas pelo Whatsapp

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
Avaliação dos Visitantes do site
[Total: 0 Média: 0]

Crítico de formação livre pela Casper Líbero. Músico baterista, que trabalha com tecnologia, leitor de quadrinhos de heróis e livros de ficção. Como fã da série Star Trek busca analisar e escrever suas críticas com a coerência e a ética dos capitães das naves da Federação dos Planetas Unidos. Vida e longa e próspera a todos.