Mãe! | Principais teorias do filme que desgraçou a sua mente!

Você provavelmente foi ao cinema, comprou o ingresso e agora está se perguntando exatamente o que aconteceu com você, durante e após Mãe! Calma, selecionamos aqui duas das possíveis interpretações do longa mais polêmico e confuso de 2017, confira abaixo.

No principio criou Deus os Céus e a Terra

Cena da mulher pegando fogo (e não é Jennifer Lawrence) e a Terra (casa) começa a retomar a forma da criação de Deus. Tudo renasce e enfim a mãe desperta, segura e à vontade com o criador. Mãe anda pela casa naturalmente, enquanto a transparência na roupa revela o quão à vontade ela se sente ali. Entretanto, o criador, Ele (Bardem), está em um bloqueio criativo e não consegue dar segmento à sua obra. Quando ele se concentra, eis que surge o Homem (Ed Harris), um “médico” que se revela fã do criador e que deseja consumir dele suas palavras. Não obstante, vemos o incômodo da natureza com o primeiro invasor permitido por ele e, na madrugada, o Homem passando mal no banheiro com uma ferida enorme na região das costelas. E no outro dia quem surge? Eva. Sim, Eva.

Eva é mais astuta, desafiadora e faz o Éden começar a ruir. É incrível a colocação de “árvore proibida e do fruto (diamante) que simboliza a maçã do conhecimento, a fonte do criador”. Mãe diz “não entre ali, é o escritório Dele” e é onde Eva entra e leva Adão, que prova/quebra o fruto e onde, mais tarde, vemos a cena do casal transando expondo sua vergonha. Mais à frente, temos Caim e Abel, a morte e a mancha do pecado que fica na terra (assoalho) o que choca mãe Natureza e o que a leva a descobrir mais e mais coisas sobre o comportamento humano.

Sob o velório de Abel, Ele parece complacente com as vontades do homem e suas inconsequências. Eles invadem a Terra e mãe se vê perdida em meio ao caos, tentando recorrer, sem resposta a Ele e, como única reação possível, vemos o Dilúvio (pia quebrando e jorrando água) e a casa se esvazia.

Reencontrando-se com Ele, mãe sente um recomeço para tudo e a gestação da próxima obra do criador se inicia no momento exato em que mãe sente o primeiro movimento em sua barriga. Ele parece arrebatado pelo nascimento de sua obra O Novo Testamento, sua mensagem de amor aos homens, esses que não demoram a aparecer para consumir do criador e justificar seus erros em suas palavras “Parece que foram escritas para mim” “E foram”. E assim, mãe se vê invadida novamente por todas as religiões, ideologias, aproveitadores, profetas e todo tipo de gente disposta ao que for para chamar a atenção Dele, destruindo a casa e retomando o caos. É onde nasce seu filho, Jesus.

Jesus nasce e a mãe sabe as intenções Dele. Ele quer entregar seu único filho ao mundo, algo que ela reluta até o esgotamento. Após isso, temos as cenas mais pesadas do filme, em que Deus entrega seu filho ao homem, que o carrega, o mata e depois o consome, simbolizando o ritual da ceia e a hipocrisia do homem, que matou o filho Dele e depois o cultua. Mãe está dilacerada e não vê outra saída a não ser acabar com tudo que ela reconstruiu para Ele. E assim temos um desfecho Apocalíptico: fogo, destruição total e purificação daquilo que foi maculado. A Natureza se sacrifica, Ele sobrevive “quem é você?” “Sou o que sou” (Deus disse exatamente isso a Moisés no deserto) e a entrega final, seu coração para que Ele possa recriar a vida e iniciar novamente o ciclo: e no princípio criou Deus o céu e a Terra.

 

Mãe como processo criativo

Críticos como Pablo Villaça e Tatá Snow conseguiram encontrar outra camada muito relevante em mãe! O caminho da criação, suas frustrações e o sacrifício feito em nome da arte. Darren Aronofsky retrata a dualidade do personagem do poeta/Deus e de sua Inspiração/Natureza no processo de criação.

O Poeta (Bardem) se sente vazio desde sua última obra e, para resgatar sua essência, inicia o ciclo, reconstruindo sua mente que jaz em cinzas e desta necessidade, surge uma nova inspiração.

Essa inspiração precisa reconstruir sua alma/casa/mente para que a vida possa ser soprada em sua arte e para que as ideias possam revisitá-lo. É incrível o papel da inspiração e sua decepção diante do caderno em branco sobre a mesa, afinal ela está ali, entregue a ele.

Ela reconstrói a casa para simbolizar essa reforma da alma e, isolada, tenta manter o foco e a tranquilidade para que as ideias fluam. Essa tranquilidade é quebrada pela distração que bate à porta: Ed Harris surge trazendo uma nova história que, na visão do poeta, pode estimular sua nova obra. Tragicamente, a narrativa que o homem, seguido de sua mulher, traz soa ao fim como o “quase lá” para o poeta, mas ainda assim não o satisfaz.
Ele busca então centenas de referências entre distrações, enquanto a musa percebe o quão distante de seu foco inicial ele navega. Como uma tempestade, ela cobra seu foco e com a mente energizada eis que é concebido em todo seu resplendor seu novo presente ao mundo, palavras prontas para serem consumidas, e são.

Detalhe para o fato de que o bebê nasce exatamente no escritório onde ele escreve, onde suas ideias ganham vida. Quando o ciclo se finda e seu resultado é entregue ao público, o consumo é imediatista e desenfreado. Público este que consome e exige sempre mais do artista, que se vê novamente esgotado e em busca de seu próximo momento de glória, assim o ciclo precisa recomeçar, o fogo precisa queimar e das cinzas apenas um vívido cristal restará como símbolo do potencial de sua obra anterior.

Qual a sua teoria? Conta pra gente, que este filme merece toda e qualquer discussão sobre ele!

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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Apenas um homem que faz tudo pela "família", Publicitário, crítico de Cinema e fundador do Cinéfilos Anônimos, bom em fazer propostas irrecusáveis e Lasanhas bolonhesa.