Crítica: Maniac é um mergulho profundo e peculiar em mentes perturbadas

Ignore a comunicação colorida, o tom futurístico e sugestivamente cômico, Maniac segue o princípio mais básico da ficção cientifica que é justamente falar do ser humano através do abstrato.

Uma Minissérie pouco convencional em ritmo e formato, com uma cenografia interessante e uma construção narrativa eficiente, Maniac não estabelece extremos, nem comédia demais, nem tristeza de menos, mantém um sentimento linear entre a confusão, negação e uma busca por uma realidade aceitável se aprofundando nas camadas do subconsciente.

Annie (Emma Stone) está em profunda depressão devido a perda de uma pessoa muito amada e da qual se culpa, mas isto ainda é a primeira camada da personagem que resgata traumas e questões mal resolvidas da infância que a impede de seguir em frente. Recorrendo as drogas alucinógenas, a jovem se vê viciada e perdida no mundo, um desespero que a leva para o tal experimento. Emma Stone parece se divertir com a personagem, abusando dos olhares atentos e das caras e bocas irônicas, tornando claro a relação dos escudos que a personagem cria para esconder suas feridas.

Aquele Jonah Hill se foi

É fato que Jonah Hill sabe nos fazer rir, o personagem de “gordinho drogado” que serviu de alivio cômico em praticamente todos os filmes de sua carreira, agora apresenta um outro lado nunca antes explorado, o drama – logo de cara fica difícil desvencilhar a figura do ator e a expectativa pela comédia, lado que pode ser frustrante para os fãs, mas o peso brutal que Jonah Hill entrega a Owen é assustadoramente boa.

Paranoico, depressivo, introspectivo, alheio ao mundo, tudo isso compõe um personagem denso e triste que Hill sustenta com muita afinidade e profundidade. Owen sofre de esquizofrenia e está sendo induzido por sua família a mentir num tribunal para “livrar a cara” do irmão acusado de um crime sexual e se candidata ao experimento na tentativa de encontrar algo que faça sentido em sua vida e também pelos delírios e a fixação na personagem de Emma Stone.

Conexões

A Minissérie explora com muita propriedade os diferentes tipos de conexões, sejam as familiares, as amorosas e até mesmo as artificiais, aliás, tudo na série parece muito artificial, desde os diálogos, até mesmo a tecnologia presente nos laboratórios, tudo apontando para os mesmos pilares centrais, a necessidade e a importância do outro como forma de completar a vida, as influências e referências que moldam as personalidades e escolhas tomadas todos os dias.

Maniac não é uma Minissérie fácil de assistir, a divulgação vende uma coisa muito mais animada do que parece, a falta de ritmo incomoda para quem curte assistir vários episódios de uma única vez e a série abusa dos esteriótipos de maneira desleixada, em compensação, Maniac é um mergulho profundo na confusão de mentes que estão em busca de ajuda para se livrar de traumas e entender o seu próprio eu. A série faz bom uso dos figurinos e das locações, existe uma química de cumplicidade divertida entre os personagens de Hill e Stone, as atuações de ambos são monstruosas e consistentes, convincentes ao ponto de emocionar, divertir e causar empatia.

Maniac é sobre não se encaixar no mundo, sobre parecer sempre a peça errada, é sobre o calor da mão que segura a sua em um mundo cada vez mais solitário, é sobre a dor de viver a realidade

A Minissérie em 10 episódios já está disponível na Netflix

 

 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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[Total: 6 Média: 3]

Apenas um homem que faz tudo pela "família", Publicitário, crítico de Cinema e fundador do Cinéfilos Anônimos, bom em fazer propostas irrecusáveis e Lasanhas bolonhesa.