Crítica | Megarromântico é uma paródia/crítica muito bem-vinda as comédias românticas

Comédias românticas foram muito amadas nos anos 90 e 00, mas que a cabeça jovem atual não acompanha mais, devido a fórmula já ultrapassada. O que na década de 2010 não mudou muito, já que vários filmes seguiram os velhos modos. Por sorte, tivemos bons títulos que subverteram a fórmula. Mas nenhum até agora havia debochado dela tão bem quanto nesse filme.

Megarromântico é um filme de 2019 lançado pela Netflix. Dirigido por Todd Straus-Schul (Final Gilrs). Conta a história da arquiteta Natalie (Rebel Wison) que sempre foi cética em relação ao amor. Mas que depois de um acidente percebe que sua vida comum se transformou em uma comédia romântica… E das mais cafonas.

Megarrômantico aposta muito na quebra de padrões hollywoodianos. Seja na forma de lidar com a romantização da cidade de New York, ou como na forma que lida com a visão sobre minorias. Por exemplo, no começo do filme, que mostra que o universo da protagonista não é nem um pouco glamouroso. O povo não é educado, a cidade cheira a mijo (como a personagem mesmo diz) e a nossa heroína mora em um apartamento minúsculo. Quando a personagem “entra” no filme, tudo muda e nós, como público, notamos o quanto fomos enganados a vida inteira. A cidade é decorada com flores, as pessoas andam sempre bem vestidas e até a fotografia trabalha com mais saturação para deixar o clima bem conto de fadas.

Todo esse deboche em relação aos romances é eficiente na hora de gerar humor, como na divertida cena de sexo. Mas também se destaca na forma como ele critica o gênero, apontando erros sociais que esses filmes pregavam no passado. Como mostrar o amor apenas para quem se encaixa nos padrões de beleza. Mas o filme sempre aperta nessas teclas com uma leveza contagiante, sempre priorizando a comédia.

Nisso, podemos apontar a boa relação do elenco com a ideia do filme. Rebel Wilson aproveita toda a sua fisicalidade, que em outros trabalhos servia para criar humor forçado, para se mostrar empoderada. A personagem acredita que o amor não foi feito para alguém como ela, passando até a negar o sentimento. Mas ela vai perceber durante o processo que o amor é importante, mesmo que não seja necessariamente aquele igual o dos filmes. Já Adam Devine, que normalmente em um filme desses seria escalado como um coadjuvante, se sai também menos forçado e com bastante carisma. Liam Hemsworth que foi uma grata surpresa, seu timing cômico é ótimo.

Megarromâtico faz uma homenagem/crítica muito bem-vinda para comédias românticas. Um gênero muito amado, mas que precisa urgentemente se adaptar e perceber que certos clichês precisam ser extintos .

 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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Fã de cinema desde que nasceu e não tem muita paciência com séries, mas tem um fraco por sitcoms. Acredita que o Chandler de Friends é uma versão dele mesmo em algum lugar do multiverso.