Nona: Se me molham, eu os queimo – mostra uma pacata senhora com um passado obscuro.

Em uma história que reúne ficção e realidade, a diretora e roteirista Camila José Donoso faz uma homenagem a sua avó Josefina Ramirez, tornando-a protagonista de seu trabalho, que ganha o nome de Nona.

Usando cenas gravadas em diversos formatos, ora em alta definição, ora como um vídeo caseiro, por vezes o longa cria a impressão de ser apenas um registro amador de uma personagem polêmica e importante da família. A diretora usou as histórias que ouvia de sua avó que fez parte da resistência anti-Pinochet, para criar veracidade na protagonista Nona.

Diversos formatos de gravação fragamentaram a narrativa.

Os diversos formatos alternados não contribuem para a fluidez do enredo porque cada formato conta uma história distinta que tenta se interligar no tema do incêndio. Várias cenas aparentemente aleatórias envolvendo incêndios de grandes proporções e seus riscos com bombeiros ajudando os afetados, geram uma descontinuidade da ligação que poderia haver entre o crime cometido pela personagem no passado com a história do incêndio.

Sugerimos que prestem muito atenção nos primeiros 10 minutos e nos últimos 10 minutos. Eles são os mais conectados com o enredo proposto. O restante, serve para mostrar que não imaginamos o quanto fora da lei foi o passado de ninguém, nem mesmo o passado de nossas avós.

O problema dessa fragmentação de diversos assuntos é que leva tempo demais, ao ponto do cinéfilo esquecer o motivo que levou a Nona sair de Santiago logo no início do filme para morar na cidade praiana de Pichilemu. Faltou um balanceamento adequado entre o passado da Nona e as várias cenas que mostram uma avó tranquila vivendo numa região com incêndios potencialmente criminosos.

Para conhecer a cidade costeira de Pichilemu.

A maior parte do filme é rodado na cidade costeira de Pichilemu. Uma cidade cheia de floresta e vilarejos com casas de madeira, que sofre muito com incêndios nas florestas e em algumas casas. Nesse sentido, o filme é uma possibilidade de conhecer essa região do Chile, que é muito bonita mas tem seus problemas peculiares.

Os bombeiros aparecem apagando incêndios nas casas da vila. Entretanto, quando a diretora teve a oportunidade de acompanhar um chamado desde o início, não houve uma ênfase que valorizasse ainda mais o trabalho heróico, talvez pela escolha das cenas. Ou porque eram cenas gravadas propositadamente de forma amadora.

O fogo está presente, mas não aquece o enredo.

A trilha sonora conta com ritmos latinos. Mas também possui muito silêncio, apenas com o som das queimadas, o que potencializa a sensação de perigo. O ator brasileiro Eduardo Moscovis intepreta Pedro que persegue a protagonista em algumas cenas.

A ideia de usar framentos de filmagens de vários formatos, criou a sensação de um apanhado de filmes amadores que foram unidos pela diretora com o objetivo de narrar uma história ficcional usando a base revolucionária que já existia na sua avó.

Fiquem atentos a esses detalhes e tenha um bom divertimento.


Nona. Si me mojan, yo los quemo  – 1h 26min – Drama, Fantasia (em espanhol)
Estreia no Brasil em 18 de Fevereiro de 2021

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Crítico de formação livre pela Casper Líbero. Músico baterista, que trabalha com tecnologia, leitor de quadrinhos de heróis e livros de ficção. Como fã da série Star Trek busca analisar e escrever suas críticas com a coerência e a ética dos capitães das naves da Federação dos Planetas Unidos. Vida e longa e próspera a todos.