Crítica: O Nome da Morte impressiona por sua história real e riqueza fotográfica

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O cinema brasileiro ganha nesta semana mais uma produção valiosa com uma boa história da vida real. A vida do pistoleiro, Júlio Santana, baseada no livro homônimo de Klester Cavalcanti, foi primorosamente adaptada em “O Nome da Morte”.

A narrativa inicia mostrando a rotina de Júlio (Marco Pigossi) quando jovem em uma pequena cidade. Vemos que a família não vê um futuro certo para ele até que o tio Cícero (André Mattos) o leva para a cidade grande com o objetivo de torná-lo um policial assim como ele. Para a surpresa de Júlio, o tio não é exatamente quem ele pensava, pois a forma como ele ganha dinheiro é realmente assustadora. Cícero é um pistoleiro e acaba influenciando Júlio para ser seu pupilo. O jovem, durante a narrativa, segue a profissão do tio, assassinando centena de pessoas e escondendo sua verdadeira profissão, até um certo período, de Maria (Fabiula Nascimento), sua esposa.

Começando pela fotografia, “O Nome da Morte” combina com o gênero e a paleta de cores enfatiza as belas paisagens da região norte. As divisões no meio da narrativa ajudam o espectador a entender e saber quantas pessoas Júlio já matou no desenrolar do filme. (Essa foi uma ideia genial!)

O grande destaque fica para Pigossi que em seu primeiro longa interpretou muito bem um personagem tão complexo, visto que desde o início, Júlio foi um menino que teve que se acostumar com a culpa de matar várias pessoas desconhecidas e tentar se perdoar através das rezas. O ator soube atuar de maneira minuciosa e na medida certa de ação e dramaticidade.

A atriz Fabiula Nascimento trabalhou de maneira diferente em virtude das várias facetas de Maria. Em dado momento ela precisou ser ingênua, em outro forte e assim obteve muitas nuances durante a trama.

Em alguns momentos a sequência das mortes ocasionadas por Júlio são monótonas e o ritmo acaba ficando lento entre uma cena e outra, até que o recurso de montagem suaviza a passagem de tempo de Júlio jovem e Júlio adulto fazendo seu trabalho sozinho, sem a ajuda do tio Cícero.

A ideia de contar a história do verdadeiro Júlio, segundo o diretor, Henrique Goldman, é de mostrar a realidade pouco noticiada na atualidade. De acordo com Goldman: O filme trata sobre a vida. E para falar da vida é necessário falar sobre a morte.

Há questões reflexivas inseridas na história como a política e religião e nos mostra como a vida de Júlio se relaciona com isso até hoje. “O Nome da Morte” impressiona por sua história real e riqueza fotográfica somando aos ótimos filmes brasileiros já lançados.

 

 

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[Total: 6 Média: 4.3]

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Mestre em Comunicação e Produtora Musical. Fissurada no mundo Geek e apaixonada por adaptações de livros para cinema. Amante da música, cultura pop e cinema. Gosta tanto de contos de fadas que resolveu pesquisar 2 anos a história de Cinderela.