Crítica: O Passageiro é eletrizante e misterioso, mas com exageros

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Liam Neeson é um vendedor de seguros de meia-idade, que foi demitido e perdido diante da possível crise financeira que possa vir, ele enfrenta com veemência, mistérios, terroristas, mafiosos, policiais corruptos, entre outros, tudo isso dentro de um trem em sua velocidade normal de viagem, numa busca implacável e eletrizante na caça pelo passageiro misterioso, até o descarrilamento do trem, tornando o desastre num show exagerado e CGI barato, onde quase ou ninguém se machuca seriamente (e olha que o descarrilamento foi tenso). Mas com algumas reviravoltas depois, enfim, tudo é revelado e Liam, mais uma vez, salva o mundo, numa atuação, como sempre, impecável.

Michael MacCauley (Liam Neeson) é um ex-policial, que ganha a vida há mais de 10 anos como vendedor de seguros –  numa rotina do trabalho-casa-casa-trabalho, com horários definidos, Michael sempre pega o trem todos os dias, no mesmo horário, conhecendo praticamente os rostos de quase todos os passageiros. Num certo dia, ao chegar no trabalho, ele é demitido e se vê numa situação preocupante, já que a casa está hipotecada e o filho indo pra faculdade, ele se vê perdido nessa situação.

No caminho para casa, enquanto procurar pensar em como contar a demissão a sua esposa, Michel é abordado por uma misteriosa mulher (Vera Farmiga) que lhe pede um simples e pequeno favor (ao menos é o que parecia) em troca de 100 mil dólares. Pronto, o que parecia ser um dinheiro fácil na hora certa, se tornou algo tão árduo que se ele falhar na missão, toda a sua família será morta.

Toda essa parte inicial do longa é apresentada numa sequência de cenas bem-sucedidas para apresentarem o cotidiano do protagonista e os personagens em sua volta, que terão cada um a sua importância no decorrer do longa, nas reviravoltas e nos mistérios apresentados durante toda a caçada no trem. Esse mote é apresentado sem gerar cansaço algum, tudo é muito rápido e sem rodeios e aos poucos o roteiro vai criando uma atmosférica cinza e soturna para entregar o cenário principal da história, o trem.

A direção trabalha muito bem a intensa viagem de trem, na busca de Liam Neeson pelo passageiro, os planos escolhidos são capazes de criar vários suspeitos sob os nossos olhares, o mistério permeia em cada ação, gestos e olhares das pessoas que estão ali no trem, por menores que sejam. Os planos bem fechados em cada ação ou movimento que certos passageiros realizam faz com que mudamos constantemente o nosso faro de revelar o misterioso.

As parcerias do diretor Jaume Collet-Serra e Liam Neeson, sempre nos reservam um alto nível de adrenalina, ação e suspense e muitas reviravoltas e em “O Passageiro” não é diferente, tem tudo isso e mais um pouco, ou até demais – mas a busca intensa e o mistério na caça pelo passageiro não se sustentam até o fim, assim que o cansaço chega, a direção resolve fazer uma cena pirotécnica com o trem, em um desastre visualmente perturbador no qual sair com vida ali, daquela catástrofe toda dependeria de um milagre raro, tanto não ocorreu danos às pessoas, quanto nem às autoridades, ao presenciar aquela cena toda estavam preocupadas em saber se havia algum sobrevivente, o que parecia impossível ter.

Apesar dos erros e acertos, e com alguns efeitos digitais que decepcionam, “O Passageiro” cumpre seu papel ao entregar boas doses de ação, tiros, socos, lutas, suspense e mistérios, é um bom entretenimento, e vale a pena ver mais uma vez o impecável Liam Neeson em cena, e ainda o roteiro entrega um desfecho interessante.

 

 

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Publicitário, Designer e Crítico de Cinema. É obcecado por monstros gigantes e, talvez, o ser que mais assistiu Breaking Bad neste planeta. Raulseixista desde a infância, hiberna uma vez por ano nos alpes de Itapira, ouvindo 12 horas interrupta do Maluco Beleza