Crítica | Perigoso, feio e brutal, “O Predador” volta do jeito que conhecemos em sua origem

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Os seres extraterrestres, que foram nomeados de “Predador” e que apareceram pela primeira vez nos cinemas em 1987, estão de volta para mais uma caçada intensa selva adentro – diferente dos últimos lançados da franquia, “O Predador”, de 2018 resgata alguns elementos que gostamos de ver nos clássicos de 87 e 90. Aqui a figura alienígena volta do jeito que conhecemos em sua origem: violenta, brutal, sangrenta, feia, forte, barulhenta e invisível. Mesmo que, por muitas vezes, durante a trama, os papéis se invertam, fazendo do Predador, a caça e dos humanos, os caçadores, o que não tira o mérito do resgate da essência do personagem.

A trama dirigida por Shane Black, que retorna à franquia, segue os mesmos padrões, seguindo a premissa da sempre conexão do militarismo americano salvador da Terra. Boyd Holbrook (Quinn McKenna) é um veterano do exército americano, que já se encontra um bom tempo longe da família por causa de uma missão em território mexicano. Durante uma das missões em uma floresta, McKenna tem o seu primeiro contato com a nave e com o Predador, uma cena inicial de muita ação. Após esses eventos dentro da selva, o soldado consegue resgatar algumas peças/partes  da armadura do alienígena, faz um pacote e envia para o seu filho Rory McKenna (Jacob Tremblay) ao invés de entregá-las ao governo americano.

Por ter feito um contato com o extraterrestre, Quinn McKenna é taxado como um “louco” pelo exército, é um soldado prestes a ser lobotomizado e, quando está a caminho do “hospício”, acaba se encontrando com outros soldados enlouquecidos dentro de um ônibus, e é a partir desse ponto que a narrativa começa a ser costurada e colocada em forma qual será a importância de cada um dentro da trama, que mais tarde o grupo se juntará a bióloga Casey Bracket, interpretada por Olivia Munn, que acaba surpreendendo com seu instinto de sobrevivência.

O novo Predador não economiza nas cenas de ação e violência, na medida certa. Há muitas explosões, mutilações e sangue para todos os lados, os diálogos são rápidos e precisos e os exageros mesmos ficam por conta das pitadas de humor, ainda que os clássicos de 87 e 90 existiam, uma boa dose da mistura de ação e de humor.

Apesar do time de loucos ser um dos grandes acertos do filme, o diretor quer brincar a todo momento com todos os elementos possíveis da insanidade mental da equipe formada por Nebraska (Trevante Rhodes), Coyle (Keegan Michael Key), Baxley (Thomas Jane), Lynch (Alfie Allen) e Nettles (Augusto Aguilera) e que, muitas vezes, perde a mão devido às enxurradas de piadas acrescentadas a todo momento, quebrando demais a tensão que algumas boas cenas proporcionariam. Mas temos que admitir, a comparação da imagem do Predador, que um dos personagens fez, com uma consagrada atriz de Hollywood é extremamente engraçada.

O elenco já citado acima está em sintonia e entrega bons personagens, mas quem rouba a cena é o pequeno Jacob Tremblay, filho de Quinn, o ator de apenas 11 anos toma pra si o posto de personagem principal, fazendo o papel da criança pródiga, que tem um grau leve de autismo, e que faz com genialidade um personagem que mistura seu estado pouco social, com alguns “toques” e a sua extrema inteligência.

Na parte técnica, a computação gráfica é datada e os efeitos práticos primorosos, havia uma certa preocupação no excesso de tecnologia no personagem, um certo medo de descaracterizá-lo, mas, felizmente, isso não ocorre e o que entregam são “predadores” visualmente bons, respeitando e preservando a identidade clássica.

Um dos furos deste roteiro era a forma de como o alienígena agia quando confrontava com Quinn, em todos os embates que o predador tinha com algum humano, ele não perdoava, eram cenas de pura violência, matava sem dó qualquer um que atravessava seu caminho, era sangue e vísceras para todos os lados, mas sempre que algum predador confrontava o protagonista era apenas um “sai pra lá”, praticamente um carinho em Mckenna, se comparado ao tamanho da violência mostrada em relação aos outros personagens. Faltou trabalhar melhor esse discernimento.

O Predador não é um remake e sim uma continuação, se os últimos filmes que foram lançados não agradaram aos fãs da franquia, este com certeza irá fazer ao menos você se lembrar da essência dos primeiros, é um filme autoral, com a marca Shane Black, que intercala a todo momento entre a ação, adrenalina e humor, mas que também flerta alguns momentos chaves, com o terror e com a ficção científica.

 

 

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Publicitário, Designer e Crítico de Cinema. É obcecado por monstros gigantes e, talvez, o ser que mais assistiu Breaking Bad neste planeta. Raulseixista desde a infância, hiberna uma vez por ano nos alpes de Itapira, ouvindo 12 horas interrupta do Maluco Beleza