Crítica: O Rei do Show é um universo de canções onde os sonhos podem ser realizados

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Cores e luzes por toda parte, performances musicais empolgantes e canções deliciosas fazem de O Rei do Show um musical memorável. Então, se você gosta de musicais, vá assistir! Você vai chegar em casa e já querer baixar o álbum inteiro do filme.

Inicialmente somos levados para conhecer a infância de P. T. Barnum (Hugh Jackman), um garotinho sonhador, que, por não ter dinheiro, sofria com a má vontade dos mais ricos. Ainda criança, ele faz amizade com Charity, uma menina toda carismática, de família rica. Quando adultos, os dois se casam contra a vontade do pai da moça, que não queria a filha com alguém sem bens a oferecer. E, através de um timelapse, vemos Charity (Michelle Williams) engravidar e suas duas filhas crescerem em questão de segundos, ao som da mesma canção.

Tudo parecia perfeito, mas ainda faltava uma coisa para a felicidade completa de Barnum, conseguir um emprego que lhe rendesse um bom dinheiro para poder dar uma condição de vida melhor à sua família. É aí que ele tem a ideia de criar um espetáculo que entraria para a história como o nascimento do show business. Para fazerem parte de seu show, ele convida pessoas consideradas “esquisitas” pela sociedade, entre elas um homem alto demais, um anão, uma mulata, uma mulher barbuda, um obeso, entre outras vítimas de olhares maldosos. Suas atrações têm cada vez mais público e a ambição acaba falando mais alto. Barnum ainda não está satisfeito com o sucesso conquistado, ele quer conquistar o público erudito e acaba esquecendo o principal motivo de ter começado tudo isso.
Os atores têm uma ótima química um com o outro, não só a família de Barnum, como os artistas do circo, que formam uma espécie de família na trama, e realmente demonstram estar bem à vontade ali. Zac Efron, depois de tantos papéis ruins em comédias após a trilogia de High School Musical, mostra que amadureceu bastante. A paixão de seu personagem, Phillip Carlyle, pela trapezista Anne Weeler (Zendaya) e a dificuldade da relação dos dois dar certo, devido ao fato de ela ser negra e pobre e ele um rapaz branco e rico, é algo muito bacana de ver no longa, pena que não houve muito espaço para a história ser aprofundada.

Aliás, algumas questões levantadas pelo filme acabaram ficando corridas demais e poderiam ter sido mais desenvolvidas, se houvesse tempo para isso, é claro. Afinal o objetivo do diretor iniciante Michael Gracey era contar a história de P.T. Barnum – e Jackman faz esse papel com perfeição – e destacar os momentos que contribuíram com seu triunfo, não havia muito tempo para as histórias secundárias.

As coreografias, apesar de não serem muito elaboradas, são contagiantes e nos dão vontade de se mexer junto e as canções escritas por Benj Pasek e Justin Paul (vencedores do Oscar por “La La Land: Cantando Estações”), nem se fala, são todas inesquecíveis, claro que graças às vozes dos atores, que são fabulosas, e uma em especial arrasa ainda mais, a voz de Keala Settle (a mulher barbada). Apenas Rebecca Ferguson, cuja personagem é considerada a melhor cantora do mundo, faz uma ótima apresentação, porém é dublada por Loren Allred na canção “Never Enough”.

Talvez O Rei do Show não tenha tido o mesmo sucesso de crítica de La La Land porque, ao contrário do longa de Damien Chazelle, aqui os sonhos podem sim se tornar realidade, tudo é muito otimista, há sempre um final feliz para os personagens. É como um conto de fadas, e qual o problema disso? Se você gosta de musicais, você vai se encantar e cantar junto com os atores, independente se faltarem elementos no enredo ou se a trama parecer surreal. Assista por puro e simples entretenimento, para ver o Hugh Jackman cantando e dançando (vale a pena hein, rs) ou para alegrar seu dia, mas assista.

 

Confira o trailer:

 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
Avaliação dos Visitantes do site
[Total: 2 Média: 4.5]

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Jornalista e paulistana, apaixonada por São Paulo e por toda a cultura e o lazer que esta cidade oferece. Desde pequena admirada pela sétima arte e fascinada por sua evolução e sua influência na vida das pessoas das mais diversas culturas e classes sociais.