Crítica | Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas é irreverente e sem medo de ser divertido

Robin, Ravena, Estelar, Ciborgue e Mutano, o time reserva de heróis de Liga da Justiça entra em cena tecendo referências cenas após cenas, tirando sarro de si mesmo e de todo o universo de super-heróis o tempo todo e, com muita inteligência, brinca com a rotina e a falta de seriedade dos jovens ajudantes de super-heróis.

Por ser tratar de uma animação voltada para o público infantil, a trama é bem simples, mas nada que desqualifica a qualidade da animação, que tem a direção de Aaron Hovarth e Peter Rida Michail. O quinteto sofre com a falta de notoriedade do grupo, seu líder, o Robbin, está cansado de ver os grandes heróis ganharem filmes e sua equipe nunca ser lembrada por Hollywood, mas, ao mesmo tempo que lutam por reconhecimento, o grupo é ignorado pela Liga da Justiça, justamente pela falta de seriedade do quinteto. Contudo, eles se mobilizam para ganharem seu longa-metragem e vão até os estúdios a procura de um diretor de Hollywood, para enfim terem suas aventuras cinematográficas.

Mas como todo herói precisa de um arqui-inimigo, eles precisam urgentemente achar um supervilão e, assim, tentar a todo custo chamar a atenção da diretora de cinema, Jade Wilson. Então entra em cena o Slade, ou melhor, “Slaaaaadeeeee….”, que se apresenta como o melhor candidato para eles.

A habilidade da roteiro de usar e abusar das referências e trollagens em todo o universo dos heróis, seja com os da rival Marvel, ou de si mesmo com os da DC , é o ponto forte desta aventura – nem Stan Lee escapou das trolagens – filmes como “Deadpool” e “Guardiões da Galáxia” também tiveram citações hilárias. A direção flerta ironicamente com os dois universos mostrando que também há similaridades entres as duas editoras. Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas também toca nas suas feridas, claro, de forma muito engraçada, não poupam piadas sobre seus fracassos nos cinemas, como por exemplo Lanterna Verde e o próprio filme da Liga da Justiça. Mas é o “bigode” do Superman, a morte de Thomas e de Marta Wayne que acabam tendo umas “alfinetas” a mais e, assim, arrancando mais risos ainda.

A narrativa ainda traz algumas surpresas, principalmente quando os jovens heróis têm a maravilhosa ideia de voltarem ao passado para dar uma reviravolta na história e evitarem o surgimento dos principais heróis da Liga – a forma de como isso foi desconstruído e depois reconstruído por eles é extremamente inteligente e divertida, nem as Tartarugas Ninjas escaparam dessa camada. Mas ainda bem que essa ideia maluca deles não foi levada a sério, né. Como seria um mundo sem os nossos super-heróis? E, acreditem, há uma leve reflexão nesse sentido.

Um outro ponto a ser destacado é o trabalho de dublagem, percebemos em algumas falas ou piadas, que a narrativa mudou acertadamente seu contexto, usando gírias e piadas locais, que, além de facilitar nosso entendimento, todas as escolhas deles foram felizes. O ótimo trabalho dos já conhecidos Charles Emanuel (Mutano), Eduardo Borgherti (Ciborgue), Luiza Palomanes (Estelar), Mariana Torres (Ravena), Manolo Rey (Robin) e Ricardo Schnetzer (Slade), torna a dublagem muito mais interessante que a versão original, trazendo aos personagens as vozes icônicas das temporadas da TV.

Tecnicamente, os traços, as cores e as texturas desta animação são os mesmos usados em relação ao desenho que passa no canal Cartoon Network, o diferencial aqui são as alterações dos traços quando estão homenageando ou satirizando algum outro desenho clássico.

Inteligente, cativante, divertido e muito irreverente, os Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas é uma animação que soube mesclar seu roteiro para agradar o público infantil, jovem e adulto. Não é um filme inovador, mas é repleto de cenas de ação misturadas com piadas a todo momento, sem ter a menor preocupação de sua história ser levada a sério, e é exatamente isso que o torna bom.

 

Ah, a cena pós-créditos é triunfal, não percam!

 

 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
Avaliação dos Visitantes do site
[Total: 0 Média: 0]

Publicitário, Designer e Crítico de Cinema. É obcecado por monstros gigantes e, talvez, o ser que mais assistiu Breaking Bad neste planeta. Raulseixista desde a infância, hiberna uma vez por ano nos alpes de Itapira, ouvindo 12 horas interrupta do Maluco Beleza