Paris Pode Esperar | Crítica

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Fotografias belíssimas, gastronomia para todos os paladares e cultura francesa são os elementos de destaque neste romance sem tempero

A França parece o cenário perfeito para um filme romântico e Diane Lane dá o melhor de si para o seu papel, não fosse seu “par romântico” um homem tão sem graça e sem charme, o filme poderia até tornar-se mais agradável. Em compensação, temos paisagens deslumbrantes, história, arquitetura, arte e uma gastronomia de dar água na boca.

Na estreia de Eleanor Coppola na direção e no roteiro de um filme – sim, a mulher de Francis Ford Coppola, mãe dos diretores Sofia e Roman e tia do ator Nicolas Cage faz seu primeiro longa de ficção aos 81 anos – somos apresentados a Anne (Diane Lane), uma mulher casada há anos com um bem-sucedido, porém ausente, produtor de cinema, interpretado por Alec Baldwin, que quase não dá atenção a ela. Após um evento em Cannes, seu marido tem que viajar a trabalho para Budapeste, mas sua esposa, que não estava se sentindo bem para ir de avião, resolve aceitar uma carona do sócio de seu marido (Arnaud Viard) e amigo do casal para viajar de carro até Paris. Ela só não esperava que, em uma viagem que deveria levar em torno de sete horas, Jacques pediria para parar em diversos lugares ao longo do caminho para apreciar a gastronomia local.
Paris pode esperar-dentro-750A todo o momento, durante a viagem, a diretora parece tentar nos convencer de que os dois combinam, de que ele é o homem ideal para ela, mas o francês é totalmente sem graça, sem tempero, e ela sequer aparenta estar se identificando com o jeito ou gostando das manias dele. No entanto, ele acaba tratando-a de uma maneira que ela não está acostumada, ele é um homem gentil, atencioso e demonstra interesse em ouvir sobre a vida dela, enquanto o marido parece só se importar com o trabalho. Mas essa é uma relação que não funciona, pois o espectador não tem motivos para torcer pelos dois ficarem juntos, sendo que Anne e seu marido deixam claro que ainda se amam, apesar dos problemas que enfrentam na relação.

Em meio a um roteiro problemático, os elementos mais interessantes não são os personagens, e sim todos os outros componentes das cenografias. Ao longo da viagem, desfrutamos de belíssimas paisagens francesas, gastronomias das mais saborosas às mais peculiares, aulas de história, entre outros fatores utilizados para compensar uma trama sem emoções. Na fotografia, a luz natural está bastante presente nas cenas e os mais diversos tons de azul são utilizados, seja no céu, no mar ou nas roupas e objetos, tudo contribui para dar certo ar de tranquilidade à trama. Diane Lane está muito bem em seu papel, dentro do que lhe é imposto, e até nos faz lembrar um pouco de Sob o Sol na Toscana (2003), embora seu filme atual não tenha o mesmo deleito.
Paris Pode EsperarParis Pode Esperar é um filme para os amantes da gastronomia, para os fãs de road movies (especialmente os gastronômicos), para ver belas fotografias e conhecer histórias de lugares, e também para você que ficou curioso em conferir o resultado do primeiro longa de Eleanor Coppola. Só não espere por um lindo romance ou por uma viagem cheia de emoções. Ah, e o mais importante: não vá assistir com fome! 😉

 

Assista ao trailer:

 

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Jornalista e paulistana, apaixonada por São Paulo e por toda a cultura e o lazer que esta cidade oferece. Desde pequena admirada pela sétima arte e fascinada por sua evolução e sua influência na vida das pessoas das mais diversas culturas e classes sociais.