Crítica | Quando Margot Encontra Margot é um encontro sem atrativos

Arrependimentos, oportunidades que deixou passar, relações amorosas, entre muitas outras coisas que já aconteceram em sua vida, o que você mudaria se tivesse uma oportunidade de encontrar com o seu “Eu” duas décadas mais jovem que você hoje? Parece confuso, né? Mas é essa a premissa que a diretora e roteirista Sophie Fillières propõe em sua dramédia francesa Quando Margot Encontra Margot (“La Belle et la Belle“), mas que, entre os bons diálogos e a sutileza de seus personagens centrais, o filme se perde entre o marasmo que fica quando “as Margots” se encontram e principalmente na tentativa de elaborar uma existência entre o fantasioso e a realidade dos fatos.

Após alguns eventos iniciais mostrando o cotidiano da bagunçada vida da Margot mais nova (Agathe Bonitzer), o longa começa a ter um tom mais interessante quando, em uma festa, a Margot mais velha (Sandrine Kiberlain) encontra no banheiro a sua versão 25 anos mais jovem. É o momento em que o público finalmente é agraciado no longa, quando as diferenças entre elas começam a se contrapor. Enquanto a jovem de 20 anos leva a sua vida entendiante, sem compromisso com o futuro e cheia de incertezas, a Margot mais velha, já nos seus 45 anos e por conta de tudo que já viveu, é mais centrada e leva a sua vida com muito mais humor e leveza.

Agathe Bonitzer, Sandrine Kiberlain

É a partir deste encontro entre elas que a trama começa a ficar interessante, até certo ponto vemos as duas Margot coexistindo no mesmo espaço e tempo. Eventos que vão acontecendo com a mais jovem, aconteceram com a Margot mais madura, desde fatos pequenos, como uma moto roubada, uma viagem de táxi que lhe causaria um sexo mais tarde, até eventos mais pontuais, como alguns relacionamentos e até uma gravidez inesperada e fazendo o espectador testemunhar as duas fases das protagonistas, o que é bacana, já que todos os eventos da fase jovem de Margot são refletidos na vida da mais velha.

Porém, a trama começa a ficar massante e os 95 minutos do filme pouco entregam em relação ao dinamismo, o roteiro cria e aponta diversos caminhos, mas se recusa a explorar a maioria deles e a história apresenta vários problemas de ritmo, deixando um grande buraco em que nada de interessante e significativo acontece, mas que, de certa forma, o tempo é preenchido pelas atuações e a ótima química que as protagonistas apresentam, evidenciando até os trejeitos.

Outro problema do filme é quando o personagem Marc é introduzido e a trama passa a girar em torno dele, já que ele é a relação amorosa mais importante na vida da Margot mais velha. Sem maiores julgamentos, Marc se envolve com as duas, e a sua falta de versão para os dois tempos deixam a sua participação um tanto confusa ou rasa.

Esteticamente o filme tem pontos interessantes, além de alguns cenários interessantes no primeiro e no último encontro, entre as “Margaux“, há uma jogada entre cores interessantes no figurino de ambas, enquanto no primeiro dos encontros, uma está sendo representada pela cor vermelha e outra pela cor azul, no último dos encontros as duas estão representados pelas trocas das cores, ou melhor, cada uma delas usando as duas cores, o que finaliza o filme de forma positiva, revelando o aprendizado que cada uma delas teve em relação a suas versões após toda a trajetória do improvável encontro.

Independente dos altos e baixos do roteiro, “Quando Margot Encontra Margot” acerta ao induzir o espectador a se questionar como ele lidaria com a situação se tivesse a oportunidade de encontrar com a sua versão mais nova, ou mais velha. O que de fato mudaríamos para corrigir certas escolhas da vida. Ou mesmo, se todas as escolhas erradas no passado foram importantes para o nosso amadurecimento. Mudaríamos algo então? Toda essas dúvidas que o filme induz o público a refletir é o ponto positivo desta história.

Trailer de Quando Margot Encontra Margot:

 

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Publicitário, Designer e Crítico de Cinema. É obcecado por monstros gigantes e, talvez, o ser que mais assistiu Breaking Bad neste planeta. Raulseixista desde a infância, hiberna uma vez por ano nos alpes de Itapira, ouvindo 12 horas interrupta do Maluco Beleza