Resenha | Rastros de um Sequestro (Gi-eok-ui Bam) – 2017

Em Rastros de um Sequestro, Jin-Seok (Kang Ha-Neul) é um adolescente que nutre uma admiração profunda por seu irmão mais velho, Yoo-Seok (Kim Moo-Yul). Pouco tempo depois de se mudarem para uma casa nova, Yoo-Seok é sequestrado e, misteriosamente, reaparece 19 dias depois, porém sem se lembrar de nada durante este período. No entanto, Jin-Seok percebe uma mudança de comportamento no irmão e decide investigar o que aconteceu afim de desvendar o mistério.

O longa conta com uma trama muito bem amarrada e construída, que faz com que o espectador também se torne detetive e queira descobrir o que de fato aconteceu com Yoo-Seok. Durante a busca por respostas, a sanidade de Jin-Seok é colocada à prova em diversos momentos e a claustrofobia e ansiedade nos acompanham durante boa parte do filme, até os reais acontecimentos serem revelados de forma clara e compreensível.

Aliás, a forma didática com a qual os fatos são explicados ao público é proposital, para que fique tudo bem amarrado, visto que, os acontecimentos são absurdamente chocantes e, porque não dizer, reais. Realismo este que, o cinema coreano sabe proporcionar como nenhum outro. Raramente nos proporcionam finais felizes, mas mexem com nossas emoções de maneira ímpar.

As atuações são excelentes, as cenas de ação bem elaboradas  e a fotografia e trilha sonora, ajudam a compor o clima de suspense  dominante no filme, que, a partir da segunda metade do longa, vai dando espaço ao drama e, diga-se de passagem, que drama.

A construção – e desconstrução – dos personagens, é elaborada de maneira fascinante. Os protagonistas trocam de papéis em diversos momentos e, à medida que mergulhamos no passado de Jin-Seok e Yoo-Seok, compreendemos a complexidade dos atos de cada um e, principalmente, o que os levou a fazer o que fizeram.

Rastros de um Sequestro (Gi-eok-ui Bam) é um filme tenso e que mistura diversos gêneros do cinema, cheio de reviravoltas, mostrando que, mais uma vez, o cinema Coreano sabe fazer filmes como ninguém.

 

 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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[Total: 3 Média: 4.7]

Colaboradora do Cinéfilos Anônimos, 31 anos, jornalista. Amante dos animais, da sétima arte e de todas as outras