Sepultura Endurance | Crítica

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Num possível apocalipse, eu também quero estar ouvindo Sepultura

“Quando o mundo tiver acabando, é esse som que vai estar tocando”, assim disse um líder de uma grande banda de metal, referindo-se a música Refuse/Resist do Sepultura, ao fazer elogios e ao mesmo tempo mostrar toda idolatria e respeito que ele tem pela banda brasileira – frase dita dentro do excelente documentário Sepultura Endurance.

Metallica, Motorhead, Pantera, Megadeth, Slayer, Slipknot, Ratos de Porão, entre outras figuras importantes, ditam a tônica da real grandeza da banda pelo mundo, “uma das maiores (se não a maior) bandas de heavy metal de todos os tempos” – e sim, para um fã da banda como eu, era impossível não me emocionar a cada frase dita por cada integrante dessas consagradas bandas citadas acima, sim, metaleiros também choram.

Seguindo uma cronológica não linear, outro ponto positivo do documentário, que sai um pouco do clichê (formação, início, primeiros shows, o sucesso e por ai vai), é que ele todo é apresentado num vai e vem, intercalando entre imagens recentes e o passado da banda que tem mais de 30 anos de estrada.

Sepultura-tirinha

O filme começa acompanhando uma turnê norte americana, na época em que Jean Dolabella (substituto de Iggor Cavalera) ainda era o baterista, mostrando também toda a construção da carreira da banda, logo, voltam para o passado quando apresentam a história dos 4 garotos que precisavam da autorização dos pais para poderem viajar, já que eram menores de idade ainda, para depois contarem o momento mais crítico do grupo, quando a banda atinge o auge do sucesso e problemas de relacionamento com Max Cavalera começaram a aparecerem, e assim, dando início a crise, chegando até a ruptura do ex-líder do Sepultura, o que fez com que a banda ficasse parada por um ano, até a chegada de Derrick Green.

Outros bons momentos do documentário estão no dia a dia da banda, entre os intervalos dos shows e as conversas na estrada, são momentos que mostram o lado humano de todos, em especial, a conversa em que o ex-baterista Jean, pondera com os outros membros a sequência de shows e viagens internacionais que a banda estava fazendo, no caso, há 5 meses na estrada, Jean dizia que se sentia desgastado e com saudade da família e que a banda poderia “diminuir” algumas datas. Essa conversa, pode ter sido o momento crucial para a não permanência do ex-baterista, já que logo após, a banda surge com um novo baterista, o Eloy Casagrande.

Uma fala de Serginho Groisman durante o filme, também chama atenção, Serginho mostra-se inconformado e não entende porque o Brasil até hoje não compreende a real importância do Sepultura, já que a banda fora do país é considerada uma das maiores do mundo e por aqui ela não é tratada da mesma forma. Isso fez com que eu perguntasse para Andreas Kisser numa coletiva de imprensa, se a banda concordava com o que o apresentador tinha falado e, se a banda também sentiu esse “não reconhecimento” após tocarem por duas vezes (2011 e 2013) num palco não principal do Rock In Rio, aqui no Brasil. Kisses disse que, hoje em dia, em seu país, ele percebe que o reconhecimento é bem maior e, sobre o Rock in Rio, foi uma escolha do idealizador, mas que tiveram várias reuniões e que a banda entendeu que aquele palco trazia mais o público para perto deles.

Sepultura - tirinha 2

Obviamente que a ausência dos irmãos Cavalera no documentário tirou um pouco o brilho do material, todas as idealizações da banda surgiram com a presença deles e os fãs da banda, é claro que querem saber mais sobre a saída dos irmãos, principalmente a época em que Max abandonou o Sepultura, sem mesmo querer lutar pelo direito do nome da banda. Essa ausência deixa uma sensação de que algo ficou incompleto, é como se uma parte do roteiro não fosse escrita.

Apesar da ausência dos Cavalera, o Sepultura Endurance tem toda a identidade e a força da banda. Assim como Andreas Kisser fez questão de destacar em coletiva, que os depoimentos de nomes importantes do metal e de amigos que ajudaram a caminhada do Sepultura dão o brilho ao material apresentado, o poder das músicas da banda que foram executadas durante o filme ditam o ritmo e faz o espectador, por várias vezes, bater os pés, e movimentar as pernas quase que saindo de sua poltrona e pular alucinadamente acompanhando o peso de suas músicas. Sepultura, Sepultura, Sepultura….

 

…E assim encerro apresentando o final do documentário.
Roots Bloody Roots
Roots Bloody Roots
Roots Bloody Roots
Roots Bloody Roooaaaaaahh…

 

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Publicitário, Designer e Crítico de Cinema. É obcecado por monstros gigantes e, talvez, o ser que mais assistiu Breaking Bad neste planeta. Raulseixista desde a infância, hiberna uma vez por ano nos alpes de Itapira, ouvindo 12 horas interrupta do Maluco Beleza