Crítica: Sexy Por Acidente apresenta humor ácido e crítica aos padrões de beleza

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Colocar uma mensagem reflexiva em uma comédia romântica foi uma tarefa difícil que “Sexy Por Acidente” soube fazer com excelência. Ainda que em termos de roteiro o filme deixa a desejar, o discurso sobre autoconfiança e boa autoestima faz valer a pena.

O filme dirigido por Marc Silverstein e Abby Kohnie, diretores de “Como Ser Solteira”, “Para Sempre” e “Nunca Fui Beijada”, apresenta a comediante Amy Schumer  no papel de Renee, uma nova-iorquina que não gosta do seu corpo e se acha feia. Por essa insegurança, tem dificuldades de seguir em frente em vários aspectos, como relacionamentos e vida profissional. Durante um exercício na bicicleta ergométrica, Renee cai e bate a cabeça. Ao acordar, tudo muda, pois ela passa a ser mais confiante, sexy e super modelo.

A narrativa é parecida com o filme “O Amor é Cego”, porém tendo como ponto de vista a visão da própria protagonista. Renee não muda nada fisicamente, mas a “mágica” da batida concebe uma transformação brusca da mente. A mudança não física, faz com que as pessoas gostem dela pelo seu jeito, simpatia, carisma e inteligência e não da sua aparência como ela mesma acha.

Um grande problema é que o elenco é desconectado e sem química entre os atores, principalmente entre Amy Schumer e Rory Scovel (Ethan – o par romântico de Renee). É uma pena terem focado de maneira exagerada na protagonista ao invés de explorarem atores como Michelle Williams, que por sinal está ótima em seu papel.

Mesmo que a narrativa demonstra a vida de Renee, outros personagens também passam por problemas de aceitação: Avery (Michelle Williams) sofre com a cobrança de sua avó, dona da empresa LeClaire, que não acredita que ela seja boa para tomar decisões corretas e a inibe por falar muito fino (característica que deixa sua personagem engraçada). Ethan não gosta de fazer sexo com luz acesa e Mallory (Emily Ratajkowski), apesar de ser linda, se sente rejeitada pelos homens.

A trilha sonora foi muito bem escolhida. Músicas do gênero pop combinam muito bem com o clima nova-iorquino e o estilo de vida dos personagens. Os enquadramentos são comuns e sem novidades. Amy Schumer faz bem o seu papel como humorista, mas deixa a desejar nas cenas dramáticas.

Depois da reviravolta de Renee, há também um extremo da autoconfiança, pois ela passa a se achar melhor do que os outros causando o afastamento de suas amigas e o namorado. O grande momento é o discurso de Renee sobre auto estima e padrões de beleza.

A mensagem de “Sexy Por Acidente” é bem específica para públicos que passam pelos mesmos pensamentos que Renee. Atualmente é importante tratar sobre esse assunto. O filme vai divertir pela comediante, sobretudo na cena em que ela participa no concurso de biquíni. A reflexividade chegará somente ao final.

Seria mais intrigante se a trama envolvesse mais os personagens coadjuvantes e seus problemas emocionais ainda que seja do gênero comédia. Tudo gira em torno de Renee e é ela mesma quem resolve tudo na trama.

Finalmente, “Sexy Por Acidente” se trata de uma narrativa sobre autoconfiança, aceitação e protesto aos padrões de beleza. Mesmo que haja problemas técnicos do planejamento da narrativa e execução do roteiro, vale a pena se divertir com a história de Renee.

 

 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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[Total: 3 Média: 4]

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Mestre em Comunicação e Produtora Musical. Fissurada no mundo Geek e apaixonada por adaptações de livros para cinema. Amante da música, cultura pop e cinema. Gosta tanto de contos de fadas que resolveu pesquisar 2 anos a história de Cinderela.