Teorias do Cinema: Lady Bird é a história de origem de Frances Ha

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Todo cinéfilo que se preze curte uma boa e velha teoria da conspiração, procura as ligações entre filmes e quantas vezes já explodiu sua cabeça pensando que todos os filmes do Tarantino na verdade são um filme só, quem nunca?

Pois bem, este que vos fala, após assistir Lady Bird (confira nossa crítica), resolveu rever Frances Ha para produzir uma crítica com boas referências sobre Greta Gerwig, Diretora e Roteirista de Lady Bird e Co-roteirsta e Protagonista de Frances Ha, e foi neste momento em que senti o impacto do destino.

SPOILER Graúdo

Sabendo que ambos os filmes são auto-biográficos de Greta, as comparações não poderiam deixar de existir, ambas as personagens são de Sacramento, ambas foram para Nova York tentar uma vida diferente, ambas já falaram com a mãe no telefone e com o pai na extensão, achou pouco, então vamos pensar mais a fundo.

Em Lady Bird, a chama de fugir de Sacramento para a Costa Leste é algo deixado apenas como uma faísca em Frances Ha, que por sua vez se depara com um novo monstro: a falta de imperfeição de uma cidade que não se preocupa com suas aspirações.

Ao fim de Lady Bird, a jovem finalmente consegue se libertar da sufocante e monótona Sacramento para viver seu sonho de independência, recém chegada, Bird parece um bicho-do-mato em meio a fumaça e cimento da selva de pedra. Vinda de um lugar sem grandes pretensões, agora Frances tem que lidar com a concorrência exagerada, de pessoas jovens, mais talentosas e tendenciosas a conseguir aquilo que a personagem tanto almeja. Frances teve seu vago sucesso em um cargo docente, o sonho esvaecido que se molda ao que a sociedade exige e, aquela garota que queria dançar, acaba por ter que se contentar com a tarefa de coreografar novos talentos, é o sonho que lhe cabe, é o tal contentamento descontente de que Renato Russo tanto falava.

“Qualquer um que fala sobre o hedonismo da Califórnia nunca passou um Natal em Sacramento”

Esta citação por si só já traz mais um elo a trama, uma vez que Lady Bird reluta em admitir o protecionismo que a mensagem traz, Frances por outro lado vê como único refugio possível, um caminho de maturidade da própria personagem diante da mesma verdade.

Tanto a Passarinha quanto Frances se debatem enquanto a vida tenta de todo jeito as afogar, Bird ainda em sua fase de adolescente, não aceita a ideia de aceitar, teima por teimar, pela força que a teimosia lhe dá e, batendo o pé tem a certeza de que a vida lhe proporcionará tudo aquilo que deseja. Frances é exatamente assim logo ao inicio do filme, mas após um longo processo de quebradas recorrentes de cara, entende que não existe o lugar certo para ser feliz, que a felicidade é algo relativamente moldado ao que precisa ser feito dentro das condições existentes e neste momento a aceitação dói menos e o sorriso retira um peso imenso das costas de ambas.

O que achou da teoria? Qual a sua opinião sobre ambos os filmes?

Lembrando que Lady Bird concorre em cinco categorias ao Oscar 2018, incluindo a de Melhor Filme. O longa estréia em 15 de Fevereiro no Brasil

 

Confira a nossa crítica do filme:

Crítica: Lady Bird é a personificação de uma geração que glamouriza o fracasso

Trailer:

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Apenas um homem que faz tudo pela "família", Publicitário, crítico de Cinema e fundador do Cinéfilos Anônimos, bom em fazer propostas irrecusáveis e Lasanhas bolonhesa.