Crítica: Entre descobertas físicas e psíquicas, Thelma apresenta um thriller intenso

Compartilhe

Minha primeira dica sobre este filme é: não veja o trailer. Trata-se de mais um caso em que o trailer (bom por sinal) cria uma expectativa errada sobre o filme. Dito isso, vamos à crítica.

Thelma (Eili Harboe) foi criada rigidamente por seus pais cristãos em um ambiente bucólico e isolado. No tempo presente a garota ingressou na Universidade de Oslo e passou a morar sozinha num pequeno apartamento, além de conviver com pessoas e situações das quais era privada até então. Logo nos primeiros dias de aula, na sala de leitura da universidade, Thelma tem um episódio de convulsão que assusta não só pelo sintoma em si, mas também pelas luzes piscando e pássaros se chocando contra a janela do local. A parir daí instala-se a dúvida se a rigidez de seus pais devia-se exclusivamente a um fundamentalismo religioso ou se há algo mais por trás disso.

Conforme a trama vai evoluindo vamos descobrindo sobre as particularidades de Thelma. O fato é que ela mesma parece não se conhecer plenamente e não lembrar de muitos fatos acerca de sua infância e adolescência. Dessa forma as descobertas que este novo ambiente lhe traz acabam sendo um mix de surpresas e ao mesmo tempo de autoconhecimento. Tudo o que a cerca a deixa desconfiada. Desde os pais controladores que ligam todas as noites até os amigos que oferecem cigarro dizendo ser um baseado. Porém de todas as circunstâncias que a deixam intrigada, é a amizade com Anja (Kaya Wilkins) que mais vai tirar Thelma da tranquilidade. Justamente com a nova amiga veio a descoberta da sexualidade acompanhada de felicidade, medo e repulsa. Em paralelo a tudo isso a garota está se consultando com neurologistas para descobrir as possíveis causas das convulsões.

À medida em que a realidade vai se transformando em um turbilhão de fatos e sentimentos incompreensíveis, a estudante decide retornar à sua casa para pedir ajuda ao pai Trond (Henrik Rafaelsen) e à mãe Unni (Ellen Dorrit Petersen). Em seu ambiente de infância Thelma começa a ter flashs de memórias que explicam muito do que ela vem passando recentemente. Com a ajuda do pai ela vai descobrir o quanto de sobrenatural ou de realidade está por trás daqueles episódios convulsivos.

O grande mérito do Diretor e Roteirista Joachim Trier (que tem parentesco distante com Lars Von Trier) é de criar uma aura de mistério mesclando um sobrenatural sutil com um thriller psicológico intenso. O tempo todo o roteiro se alterna entre fenômenos paranormais e questões emocionais de forma que tudo se confunde e se mistura. Essa confusão a que o espectador é exposto é a mesma que se instaura em Thelma. Isso fica evidente quando ela descobre que seu passado foi velado devido a um tratamento que seu pai a submeteu.

A primeira parte do filme segue essa atmosfera sombria e realmente consegue incomodar utilizando um ritmo cadenciado em que as descobertas físicas e psíquicas de Thelma vão crescendo. A trama é envolvente e incômoda ao mesmo tempo. Já no terceiro Ato, quando Trond retoma os cuidados com a filha, algo parece se desconectar daquele clima pesado do início. Mesmo assim, o mistério permanece no ar e a sensação de anticlímax acompanha o espectador até o final.

Thelma é o escolhido da Noruega para concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2018. Trata-se de um longa bem produzido, que tem algumas falhas de roteiro, mas ainda assim se destaca como um bom thriller de suspense. Além disso, a ótima atuação de Eili Harboe pode dar boas chances ao longa nórdico.

 

 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
Avaliação dos Visitantes do site
[Total: 2 Média: 4.5]
Compartilhe

Tercio Strutzel ama histórias, seja no cinema, séries, livros ou quadrinhos! Foi editor do fanzine Paralelo, mas hoje quase não consegue desenhar. Se especializou em Presença Digital, mas tem diversos projetos fervilhando na mente. Está sempre em busca de atividades culturais por São Paulo.