Crítica: Todo Dia mantém a essência do best-seller de David Levithan

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A adaptação do best-seller de David Levithan mantém a essência de “Todo Dia” e reflete uma mensagem tão poderosa que acaba compensando as falhas da produção cinematográfica.

Encontramos em “Todo Dia” um romance diferente. Rhiannon (Angourie Rice) é uma garota de 16 anos que se apaixona por A (*nome do personagem que é interpretado por vários atores), uma alma que muda de corpo a cada dia. Os dois enfrentam o desafio de se encontrar dia após dia, mesmo sem Rhiannon saber quem poderia ser A na manhã seguinte.

Quando falamos de adaptação, parece que o sucesso já está certo por se tratar de uma obra literária best-seller. O longa possui alguns problemas na produção e é salvo pela ótima história de Levithan. Faltou aquele drama para emocionar os fãs de romance. O longa é linear se comparado com “A Culpa é das Estrelas” ou adaptações dos livros de Nicholas Sparks. O que é curioso nesta forma de adaptar é a mudança de protagonismo propondo o ponto de vista de Rhiannon ao invés de A. Infelizmente a ideia empobreceu o personagem misterioso, que é bem complexo no livro.

Ponto positivo para a não profundidade de cada um dos personagens vividos por A. Imagina se a cada corpo uma história fosse contada?

O início da trama causa estranheza principalmente porque não sabemos se Justin, primeiro corpo de A, é realmente namorado de Rhiannon ou se eles estão apenas em uma paquera adolescente.

Algumas perguntas, que infelizmente nos incomodam, ficam no ar: “Por que A é assim?”, “Como A se lembrar da vida ao qual ele habita?”, “Como funciona a mudança de um corpo para outro?”. Ainda que tenham poucas respostas no meio da narrativa, tudo é superficial.

(Uma das vantagens de se adaptar é isso: deixar a obra ser completada pela ideia original. No livro é possível encontrar todas essas perguntas sem respostas no filme.)

O que foge de um romance comum é o discurso de amor sem gênero. A é um ser que pode habitar em meninos ou meninas, sem definição de sexo. A mensagem transmitida é de que o sentimento é mais importante do que as aparências. A muda de corpos totalmente diferentes; meninos, meninas, brancos, negros, magros, gordos etc., e Rhiannon não se importa. Sutilmente inserindo o assunto LGBTQ+, “Todo Dia” faz com que o espectador seja empático em relação ao sentimento da protagonista.

Esteticamente o longa é comum, os aspectos visuais traduzem um típico romance adolescente com paisagens naturais nas cenas onde há a necessidade de emocionar. Os enquadramentos e ângulos atentem as expectativas, mas não vão muito além disso.

A narrativa e a intenção do autor David Levithan estão bem preservadas em “Todo Dia” e a mensagem falará muito mais alto do que as questões de roteiro e produção. O filme já está em cartaz nos cinemas brasileiros e trará muita reflexão sobre uma nova forma de amar.

 

 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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[Total: 2 Média: 3]

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Mestre em Comunicação e Produtora Musical. Fissurada no mundo Geek e apaixonada por adaptações de livros para cinema. Amante da música, cultura pop e cinema. Gosta tanto de contos de fadas que resolveu pesquisar 2 anos a história de Cinderela.