Crítica | Traffik: Liberdade Roubada

Baseado na história real do tráfico de mulheres nos Estados Unidos, “Traffik: Liberdade Roubada” traduz o sofrimento de moças estupradas, maltratadas e drogadas à força, porém. Infelizmente, a trama é inconsistente. Ainda que o tema fosse relevante para ser abordado, o tráfico ficou em segundo plano.

Toda narrativa está à volta de Brea (Paula Patton), uma jornalista focada em conseguir uma boa matéria. Depois de discutir com o chefe, a jovem dá um tempo na carreira com a finalidade de pensar nos próximos passos de sua vida profissional. Paralelamente, seu namorado, John (Omar Epps) planeja pedi-la em casamento da maneira mais romântica possível. Então, ele a leva à uma casa luxuosa nas montanhas para curtir um final de semana a sós. Na caminho, o casal estaciona em um posto de gasolina e Brea vai até a loja de conveniência enquanto o namorado abastece o carro. No banheiro da loja, uma misteriosa moça diz várias frases sem sentido a Brea e vai embora. Ao sair do estabelecimento, a jornalista vê John se desentendendo com alguns homens de uma gangue até que Sally (Missi Pyle), a xerife da cidade, aparta a briga.

Seguindo a viagem, o casal percebe que a gangue os segue e estrategicamente consegue despistá-los. Quando chegam ao destino, Brea nota que a moça da loja deixou um celular em sua bolsa. A partir daí, “Traffik” finalmente começa a desenrolar.

O assunto do tráfico de mulher é interessantíssimo, visto que é pouco discutido no cinema. O diretor, Deon Taylor poderia ter explorado muito mais, dando ênfase ao problema em questão e deixando a dramaticidade do casal protagonista em segundo plano. Por se tratar de um possível filme-denúncia, faltaram mais informações, detalhes e mais fatos para que todo o esquema do tráfico de mulheres fosse mais chocante.

Paula Patton tem um protagonismo feminino forte por seu esforço como atriz, mas os outros personagens estão apagados por um roteiro mal estruturado. A trilha sonora converge com a narrativa e realmente sustenta as cenas de ação nos causando tensão.

Há algumas cenas que são verdadeiramente fortes o suficiente para tentar mostrar o sofrimento das mulheres dentro do tráfico e a pressão psicológica ao qual passaram pelos chefes envolvidos nesse esquema grandioso. O estado em que as moças ficam quando são drogadas é de fato impressionante e mostram como foram desrespeitadas.

Toda linguagem técnica audiovisual é simples, mas “Traffik: Liberdade Roubada”, independentemente das questões negativas, consegue prender-nos pela mensagem em tempos onde as questões femininas são ignoradas.

 

 

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Mestre em Comunicação e Produtora Musical. Fissurada no mundo Geek e apaixonada por adaptações de livros para cinema. Amante da música, cultura pop e cinema. Gosta tanto de contos de fadas que resolveu pesquisar 2 anos a história de Cinderela.