Trash: A Esperança vem do Lixo (2015) | Resenha

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Atores mirins roubam a cena, neste suspense brasileiro cheio de ação.

Baseado no livro de Andy Mulligan que se passa em um país fictício, o filme poderia ter sido filmado em qualquer país, mas a proximidade do diretor Stephen Daldry com o trabalho do cineasta Fernando Meirelles, fez com que o Brasil fosse a escolha perfeita

A trama gira em torno de uma carteira vermelha encontrada por acaso em um lixão, pelo catador Raphael (Rickson Tevez). Esse simples fato, é o estopim de uma perseguição implacável ao menino, que buscará ajuda de seus amigos Rato (Gabriel Weinstein) e Gardo (Eduardo Luis) para descobrir o mistério por trás do conteúdo da carteira.

O filme começa lento e, aos poucos, vai se tornando cada vez mais empolgante. É como se, junto com as crianças, o espectador também descobrisse aos poucos as peças do quebra-cabeças que teve início com a descoberta da carteira. Raphael, Gardo e Rato no entanto, não estão sozinhos nesta empreitada. Eles contarão com o apoio de Olivia (Rooney Mara) – professora de inglês da comunidade em que eles vivem – e o padre Julliard (Martin Sheen).

O protagonismo do filme fica mesmo por conta dos garotos, embora Wagner Moura no papel de José Ângelo, tenha uma atuação marcante e essencial ao longa, mesmo aparecendo em poucas cenas, assim como o brilhante Nelson Xavier (Comeback) que dá vida a Jefferson, que consegue nos emocionar em poucas falas. O mesmo podemos dizer de Selton Mello (leia perfil) na pele do implacável policial Frederico.

A trama em si, é muito bem escrita e elaborada e não deixa espaços para pontas soltas. Um aspecto do filme que merece destaque, é a direção de arte que dá um verdadeiro show nas cenas rodadas no lixão. A estrutura, o ritmo eletrizante, o cenário de miséria e a atuação dos pré-adolescentes, nos fazem lembrar em alguns momentos de Quem Quer Ser um Milionário e também do quanto é preciso olhar para a miséria que ainda existe no Brasil e o contraste gritante entre as classes sociais.

Em um dos diálogos mais marcantes, o personagem Gardo diz que aos poucos se acostuma com o mau cheiro do lixão. À primeira vista, esta frase pode soar engraçada, mas ao olharmos mais de perto, vemos que ele é apenas uma criança e que ninguém deveria se acostumar a esse tipo de situação. Por tocar em feridas abertas como corrupção, desvio de dinheiro e miséria, Trash: A Esperança vem do Lixo, definitivamente não é um filme “só para inglês ver”.

 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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Colaboradora do Cinéfilos Anônimos, 31 anos, jornalista. Amante dos animais, da sétima arte e de todas as outras