Crítica: Uma Quase Dupla acerta na trilha sonora e no humor

Sem muita novidade na estética, “Uma Quase Dupla” é um filme que vai divertir de uma maneira única. Toda trama está voltada em seus protagonistas e o objetivo de fazer o espectador rir é certeiro.

Dirigido por Marcus Baldini, a narrativa conta a história de Keyla (Tatá Werneck) e Cláudio (Cauã Reymond), dois policiais que buscam pela perfeição no trabalho mas que operam de maneiras diferentes: Keyla é conhecida por solucionar casos de homicídio no Rio de Janeiro e seu jeito arrogante e indelicado, faz com que ela não tenha uma vida social muito boa. Já Cláudio é morador da pacata cidade de Joinlandia, é sonhador e simpático, mas sem experiência como subdelegado. Tudo começa quando Keyla é chamada para comandar uma investigação junto com Cláudio devido um assassinato curioso na tranquila Joinlandia. Apesar da falta de química, os policiais precisam descobrir quem é o autor do crime sem cometer erros.

A comédia policial adaptada para o cinema brasileiro traz risos do início ao fim. O que a deixa ainda mais cômica é sem dúvida, Tatá Werneck. A escolha da atriz é magnífica para ratificar o gênero cinematográfico, ainda que a dicção de Tatá não seja perfeita. Em vários momentos ficamos sem entender o que ela diz, mesmo assim damos risada de sua expressão facial e jeito cômico. Keyla é irônica e carrancuda, apesar da seriedade da personagem, essa contradição entre Tatá (divertida) e Keyla (séria), torna ainda mais especial o humor.

O personagem Cláudio é um pouco raso, a diversão fica por conta de sua ingenuidade que no final é surpreendida pela intuição do subdelegado. Cauã Reymond após alguns anos sem fazer comédia atende as expectativas e exigência ao que seu papel pede.

Além de Cauã e Tatá, os atores coadjuvantes estão ótimos em seus personagens: George Sauma, Ary França, Daniel Furlan e Alejandro Cleveaux, interpretam muito bem e somam positivamente à comédia.

O que surpreende é a escolha da trilha sonora. As músicas brasileiras conversam com os contextos de cada personagem em Joinlandia, principalmente “Shimbalaiê” (Maria Gadú), que é leitmotiv¹ de Cláudio. Há também músicas que fazem referência a filmes policiais dos anos 80, inclusive temos o sucesso: “Eu Amei Te Ver” (Tiago Iorc). A preocupação com a trilha em filmes de comédia não é comum, diferente do que acontece em “Uma Quase Dupla”, causando pontos positivos.

A história do crime não é grandiosa e nem assustadora, mas o longa traz o suspense e até nos deixa curioso em saber quem é o autor dessas atrocidades ocorridas na tranquila cidade de Joinlandia. (Sim, são mais de um crime – não é spoiler!).

“Uma Quase Dupla” é uma grande comédia que vai te fazer rir, principalmente pelos protagonistas. Quem se destaca realmente é Tatá Werneck que vai trazer o humor escrachado e VERDADEIRAMENTE engraçado. Vale a pena!

 

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¹Termo de uma técnica musical para caracterizar um personagem.

 

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Mestre em Comunicação e Produtora Musical. Fissurada no mundo Geek e apaixonada por adaptações de livros para cinema. Amante da música, cultura pop e cinema. Gosta tanto de contos de fadas que resolveu pesquisar 2 anos a história de Cinderela.