Crítica: Vende-se Esta Casa (Netflix) mira no suspense mas erra o alvo

Após testemunhar a morte trágica do pai, o adolescente Logan Wallace (Dylan Minnette – o Clay de “13 Reasons Why”) e sua mãe, Naomi Wallace (Piercey Dalton), se mudam temporariamente, a convite de uma amiga, para uma casa isolada buscando superar o trauma familiar. Como o imóvel está à venda, eles precisam apenas organizar um dia chamado “Open House” para acolher potenciais compradores. No entanto, depois deste evento, Logan e Naomi coisas estranhas começam a acontecer na casa, deixando os dois em constante estado de alerta.

A premissa é bem conhecida e já bastante explorada pelo cinema: pessoas em uma casa num lugar remoto, gente estranha em volta, barulhos assustadores à noite e vultos. Seria o cenário perfeito para mais um bom filme de suspense mas, infelizmente, não é o que acontece. Com o roteiro e direção de Suzanne Coote, Matt Angel, a única coisa boa no filme é a belíssima casa e a natureza envolta dela.

A trama é sem pé nem cabeça e literalmente nada acontece em pouco mais de 1h e meia de duração. Apesar da boa produção – característica marcante dos filmes da Netflix – temos a impressão de estarmos vendo um filme totalmente amador. O roteiro é fraco, quase não há diálogos e as atuações são bem medianas. O filme peca em tudo que tenta propor. Falha ao tentar criar uma atmosfera de suspense e é tão arrastado que queremos que algo de relevante aconteça o mais rápido possível. Torcemos por um “plot twist” que nos faça não só mudar de ideia, mas também entender o filme, pois o espectador fica perdido o tempo todo.

O pior, nem é tanto o filme em si, mas a expectativa colocada no público, como se fôssemos ver um suspense de arrepiar os cabelos e deixar o espectador grudado na frente da tv. O primeiro ato é promissor, o segundo interessante –  apesar de lento – mas desanda totalmente no terceiro, com um final vergonhoso. Perdeu-se uma ótima oportunidade de aprofundarem mais a relação entre mãe e filho, o mistério que cercava a casa e, os moradores da região, ou seja, apenas “joga” os acontecimentos como se houvesse preguiça em explicar ou mostrar algo a mais para o telespectador.

O que vemos, é unção de diversos “subplots” irrelevantes e personagens secundários inseridos com única intenção de alimentar clichês desnecessários. As cenas não sustentam a narrativa e no fim, temos a impressão que perdemos 1h30 de nossas vidas. Não é exagero dizer que “Vende-se Esta Casa” é uma sucessão de equívocos e decisões erradas, com protagonistas que não sabem direito como agir, parecendo até um manual de como não fazer um filme de suspense.

 

 

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Colaboradora do Cinéfilos Anônimos, 31 anos, jornalista. Amante dos animais, da sétima arte e de todas as outras