Crítica | Vidro (Glass) aprofunda a reflexão sobre o quão SUPER existe no comum

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Quando em meados de 2001, o Diretor M. Night Shyamalan apresentou ao mundo um filme diferente em ritmo e estilo, contanto a origem de um herói e de um vilão, trazendo a vida o conceito do maniqueísmo em tom de grau e estilo, Corpo Fechado foi precursor de um mercado até então sem grande expressão, talvez ninguém poderia ter imaginado a avalanche de filmes de super heróis que viria depois, muito menos os planos de Shyamalan para seu universo, algo que só ressuscitou dezesseis anos depois na mente perturbada de Kevin em Fragmentado.

Dunn – Bruce Willis

O homem à prova de tudo, o herói renegado por si mesmo em construção, a máquina de justiça urbana que busca um sentido para seus dons.

Kevin Crumb – James McAvoy

Habitando o mesmo corpo, vinte e quatro personalidades brigam pelo controle, entre elas existe algo bestial, uma Fera destrutiva com suas próprias concepções e julgamentos morais, punindo os impuros em seu caminho.

Elijah – Samuel L. Jackson

Um corpo frágil resultou em uma mente perigosa, astuta e audaciosa, Mr Vidro sabe seu papel na sociedade, um arquiteto do mal em busca de revelar o que o mundo esconde, a luta entre o bem e o mal entre pessoas com dons extraordinários.

O mestre do Plot twist

Conhecido por suas tramas imprevisíveis e personagens marcantes, o diretor coleciona sucessos como O Sexto Sentido, filme que lhe deu notoriedade pela surpresa, seguido pelo intrigante Sinais (2001) e suas plantações misteriosas ou mesmo com a trama religiosa de uma seita em A Vila (2004), uma coisa é certa, Shyamalan sabe nos prender e digo mais, sempre soube nos enganar.

Vidro

Não foi surpresa, após o sucesso de crítica e bilheteria de Fragmentado que sua continuação fosse anunciada, Vidro era esperado como a catarse desse universo que, em sua concepção, já acumula quase duas décadas, o embate final entre a força e a mente, um encontro de gigantes, acho que você já entendeu.

A Horda, como é conhecido o personagem de James Mcvoy após os eventos em Fragmentado, segue sua jornada de rapto de garotas puras para alimentar a “Fera”, em seu encalço está Dunn (Willis) e seu filho, vigilantes em busca de deter mais esta ameaça, algo que culmina na prisão do homem inabalável e sua transferência para um hospício juntamente com sua presa de múltiplas personalidades, a surpresa está no encontro inesperado com Mr. Vidro.

Sob os cuidados da doutora Ellie Staple (a talentosíssima Sarah Paulson), o trio passa a ser estudado a fundo, levantando sérios questionamentos sobre suas capacidades e mesmo sobre a real existência de seus super-poderes, um ótimo momento psicológico.

Tá, mas e aí?

Se suas expectativas em Vidro sejam de um filme carregado de grandes embates, explosões e cenas de ação de tirar o fôlego, volte duas casas e reveja os dois anteriores e pode ser que se decepcione um tanto, agora se seu foco for justamente a construção de personagens que te trouxe até o terceiro filme, se esbalde, pois os diálogos são primordiais e bem carregados, os tempos de cena são extensos, mas sempre com algo a dizer e todos os personagens apresentam um desenvolvimento satisfatório e complexo, os conflitos não são apressados e sobra tempo para que as entrelinhas se façam entendidas.

Assim como seus antecessores, Vidro tem uma mensagem que vai além de poderes e maniqueísmos, o longa brinca com as crenças individuais, passeia pela mente, testa os limites da fé e embarca na loucura das tantas mentes e vidas em uma só. Faz seus personagens brilharem em todos os aspectos, inclusive desafiando atores tão consagrados em papéis tão insanos, o blefe está tanto na trama quanto fora dela, levando o expectador a se questionar também sobre todos os eventos ocorridos em tela.

Tudo isso só pode ser realizado com uma direção muito precisa de Shyamalan, aliada a um roteiro complexo e uma minuciosa fotografia com tamanha personalidade, ouso dizer que uns dos grandes méritos do filme, e sem o qual todo o charme não teria o mesmo valor, se deve ao toque encantador de Sarah Paulson, em seu papel tão intenso, e, mais uma vez, a assustadora atuação de McAvoy nos causando calafrios ao alternar suas personalidades tão distintas entre si, muitas delas durante um plano sequência sem cortes, é bizarro de bom, rs. Bruce Willis e Samuel L Jackson parecem confortáveis em seus papéis e repetem as atuações que deixaram para traz há mais de dezoito anos, dois gigantes do cinema.

Enfim

Vidro é um perfeito filme de M. Night Shyamalan, sabe ser intrigante, desenvolve muito bem os personagens e brinca com suas reviravoltas, traz uma reflexão sobre o quão extraordinário pode ser um ser humano “comum” e embarca numa discussão interessante sobre a necessidade humana em criar seus salvadores, seres super poderosos que os protejam, que os representem.

O longa flerta sobre crenças, exibe com maestria os conflitos morais entre heróis e vilões e consagra com louvor uma trilogia que ficará para sempre marcada na história do cinema.

 

 

Avaliação do Cinéfilos Anônimos
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Publicitário, Designer e Crítico de Cinema. É obcecado por monstros gigantes e, talvez, o ser que mais assistiu Breaking Bad neste planeta. Raulseixista desde a infância, hiberna uma vez por ano nos alpes de Itapira, ouvindo 12 horas interrupta do Maluco Beleza